Nim, feita pela hiper simpática Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), mora com seu pai cientista numa ilha distante de tudo. Ela tem alguns poucos amigos animais (que graças a Deus não falam em língua de gente), muitos livros, e é fã número um de um herói, Alex, criação de um autor chamado Alex também. Nim nem desconfia que esse escritor é na verdade uma escritora, a Jodie Foster. E eu passei o filme todo achando que o ator que faz o pai e o herói era o Brendan Fraser. Ahn, era o Gerard Butler (de 300). Cof cof. Melhor não divulgar isso pra não fazer minha carreira de crítica de cinema naufragar de vez. Ah, vai, Gerard e Brendan são parecidos!
Como fui ver a aventura sem saber de nada, pra variar, pensei que talvez a Abigail iria virar a Jodie quando crescesse, ou coisa do gênero. Assim como acredito que o Brendan e o Gerard sejam a mesma pessoa, acredito que a Abigail é o focinho da Jodie quando jovem. A guria podia interpretar a menininha que faz a Jodie em Silêncio dos Inocentes. Isso é, se a Abigail fosse nascida na época. Pra onde que essa crônica tá indo mesmo?
Bom, presta atenção que você está prestes a entrar na seção inteligente desta crítica. Tipo, eu gostei do lagarto, que lembra mesmo um dragão. Aliás, gostei de todos os animais, que parecem verdadeiros (com exceção do pelicano), não gerados por computador. O leão marinho é uma gracinha, e eu queria ter um pra nadar junto. Okay, eu posso fazer melhor. Que tal dizer que A Ilha lembra A Tempestade do Shakespeare? Tem um pai e sua filha, sem o Ariel e, principalmente, sem uma ameaça como o Calibã. A maior ameaça mesmo são os turistas que invadem a ilha de Nim e que são pintados como uma praga. Não há como negar que turistas afetam o equilíbrio ambiental de um lugar. Porém, se fossemos nos abster de ir a novos lugares por causa disso, a maior parte de nós jamais conheceria outras partes do mundo. Claro que dá pra ser turista e respeitar o meio ambiente. Ou não? Lá em Porto de Galinhas, Pernambuco, só o pessoal pisando nos corais já representa um dano irreparável.
Mas, voltando ao filme, é interessante que o menininho invasor não seja vilanizado na história. Seria fácil, já que ele (e a família) é gordo. O principal atrativo é que é raro uma aventura infanto-juvenil comandada por uma menina, e ainda mais em sintonia com uma outra personagem feminina forte. Eu adoro a Jodie, que está à vontade em A Ilha. Ela faz uma agorafóbica (sabe, pessoa que tem medo de sair de casa?), e a gente tem certeza que, em algum momento, ela terá que vencer a fobia e chegar à ilha. E ambas se viram bastante bem sozinhas. Não precisam do homem-provedor pra defendê-las. Além de dar poder às mulheres, o filme também ama os livros. Repare como, em A Ilha, todo mundo procura alguma coisa numa enciclopédia de papel antes de partir pra internet.
O filme é fofo e divertido e traz mensagens feministas, ecologistas, pró-leitura, a Jodie, que é a atriz mais inteligente do cinema, e o Gerard, que você pode fazer como eu e fantasiar que seja o Brendan. O que mais eu posso querer? Se bem que nem toda a defesa do meio ambiente de A Ilha me faria mudar pra lá. A comida parece absolutamente tenebrosa, e todo mundo na sessão fez “Aaaaargh” quando a Jodie experimenta a gororoba preparada pela Abigail. E lá não tem pinta de ter muitos cinemas. E, comigo morando num lugar sem cinema, o mundo não leria críticas indispensáveis como esta. Cof.Eu não moraria numa ilha deserta nem por todos os leões-marinhos do mundo.